e eu caio água
gélo terra sólido
névoa vôo líquido
me precipito
e caio sobre você
lançando esses versos analfabetos
nascidos paridos
sem-teto, sem-sono e com fome
querendo você
eu me pergunto e deixo
e saiu correndo, querida
por que? por que?
por que você não foi..
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
querendo te ver.
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Onde fica: poesia.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
dias péssimos (ou malabarismo)
fiz da terra e do mar o meu berço
fiz do vento meu amado
das minhas sementes a vida
vi meus filhos crescerem
fazendo malabarismo com tochas harmônicas
fazendo malabarismo com palavras de fogo
fiz a noção e o bom-senso
fiz a história e o tempo
dentro da alegria o meu leito
vi meus filhos crescerem
fazendo malabarismo com idéias cortantes
fazendo malabarismo com armas de gente grande
fiz a bondade e a vontade
e me decepcionei
fiz o carinho e o amor
e me decepcionei
vi meus filhos crescerem
fazendo malabarismo com pilhas atômicas
fazendo malabarismo com bombas recarregáveis
da minha tristeza fiz arriar o fogo
e a terra se cobriu de cinzas
do meu pranto alaguei o mundo
e morreram todos afogados.
Postado por marcelo às 22:32 2 comentários
Onde fica: poesia.
domingo, 4 de novembro de 2007
tempo, passe.
o tempo passa, para, peraí
o tempo tenta, tento, tentaí
o tempo anda, ama.. anta!
o tempo muda, cresce, árvore
o tempo procura, procuro, procure-me
o tempo todo, pouco, louco
o tempo engana, mente, distorce
o tempo hora, ora, olha
o tempo vira, gira, pira
o tempo pula, corre, nada
o tempo mata, marca, malha de mim
e essa maldita insônia não passa
Postado por marcelo às 22:14 2 comentários
Onde fica: poesia.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
complexomundonovo I (ou viva a globalização, a tecnologia e a guerra!)
Bate a cabeça forte contra o monitor,
Percebe uma brecha se abrindo bem no meio de sua testa,
Sente o stress queimar seus neurônios,
Pequenos miúdos pensamentos apressam-se para fora da cabeça,
infelizes, morrem no caminho,
Vê de relance o pequeno filete de sangue correr pelo nariz
e desaguar morno sobre a escrivaninha,
Os restos de vidro se amontoam pela sua cabeça,
Seus olhos turvam e o outrorá teclado branco agora é amaldiçoado,
vermelho,
Jás morto mais um,
Vítima dum monitor suicida.
Postado por marcelo às 22:54 4 comentários
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terça-feira, 23 de outubro de 2007
Poesias de 5 Palavras V (ou medo)
tenho medo do olhar profundo
medo dos dentes cerrados, trincados
tenho medo dos punhos fechados
ou talvez dos dedos esticados
tenho medo das palavras afoitas
medo das palavras loucas, soltas
tenho medo da voz calada
ou talvez das frases formuladas
tenho medo do andar descompensado
ou será dos dias anuviados
tenho medo dos pensamentos pertubados
medo dos gestos alterados, desgastados
tenho medo quando está
triste..
ou alegre talvez
não sei..
mas no fundo é normal,
ter, pouco, ou um tanto
de medo de si mesmo
Postado por marcelo às 13:28 5 comentários
Onde fica: poesia.
Poesias de 5 Palavras IV (ou sem palavras)
preciso
urgentemente
de
cinco
palavras
Postado por marcelo às 13:27 3 comentários
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
dias ruins.
vislumbro por um momento
a chama da lamparina se apagando
dentro de pouco tempo
escuto o barulho oco da porta
chegou,
não vejo mais nada agora
sinto o peso dos problemas
discursos mal-resolvidos sobre o peito
sinto o cheiro de rosas
uma doce lembrança de bons momentos
eterno,
os segundos agora parecem semanas
sinto a náusea
o enjôo me recorda dos erros
procuro lembranças dignas
algum bom amigo, ou talvez um dia
agora, tão bom,
chegou aquela hora que não sentimos mais nada
pernas se esticam
então se contraem bem de leve
braços se precipitam
caindo lentamente sobre a cama
eu sufoco, e morro
ela tira o travesseiro do meu rosto, e chora.
Postado por marcelo às 22:15 8 comentários
Onde fica: poesia.
sábado, 13 de outubro de 2007
penso, logo existo (ou ode ao (ir)racional)
hobbes, spinoza, malebranche
vico, berkeley, kant
marx, nietzsche, locke,
brincando de ser racional
num mundo irracional
beccaria, stewart, hume,
reid, pascal, kant?!
leibniz, montesquieu, rosseau,
tenha dó desse mundo,
tenha pena de nós,
pensamos muito, pouco
erasmo, bacon, galileu,
more, rabelais, newton,
maquiavel!
pra que fingir ser intelectual
hoje é mais legal
ser irracional
euclides, epicuro, eratóstenes,
cícero, epiteto, aristarco,
ptolomeu, arquimedes, aristóteles,
o mundo daqui de fora
é bem diferente
do daqui de dentro
sócrates, platão, pitágoras,
tecendo redes de irracionalidade
ofuscando raios de intelectualidade
será que sou (ir)racional, (ir)racional
querido descartes, na dúvida,
deverias ter escrito:
piso, logo caio.
Postado por marcelo às 12:55 5 comentários
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quinta-feira, 27 de setembro de 2007
acontece (ou não me leve a mal ou invisível)
me estico na cama
tento ver a lua
me lembro que o concreto do teto
não é invisível
viro de lado
penso nas palavras dela
"intríncico em cada poema existe uma carta de amor"
viro para o outro lado
tento ver o mar
descubro que as paredes
ainda são visíveis
me boto de bruços
me lembro dos seus pedidos
"me procura mais tarde?"
mas eu cabei de deitar baby,
deu preguiça.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Poesias de 5 Palavras III (ou mentiras)
eu sou um grande mentiroso,
eu minto todo o tempo,
eu minto sobre as horas,
eu minto sobre o amor,
eu não me controlo mais
eu minto sobre as ideias,
eu minto sobre às ideias,
e ninguém vai me parar,
porque eu até que gosto
eu digo "não está bela",
eu digo que não quero,
eu minto sobre onde estou,
eu minto pra vocês, todos
eu minto bastante, ou será..
que isso também é mentira?
Postado por marcelo às 21:55 3 comentários
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sexta-feira, 21 de setembro de 2007
importados ou enlatados.
alimente os porcos com ópio,
sirva coca-cola no café-da-manhã,
atire paralepípedos nos carros,
importados, ou enlatados,
bote as caravelas na água,
traga mais escravos,
sinta-se melhor fumando,
cigarros, importados, ou enlatados,
o que for pior,
se desfaça do seu esgoto,
no rio-esgoto mais perto de sua casa,
coma no fast-food mais sujo,
importado, e enlatado,
fale apenas em port-inglês,
imite, compre, venda, importados baratos,
coma enlatados fora do prazo de validade,
eu não me importo, afinal,
bombas de estilhaço não destroem arames farpados.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
noite.
eu diria aos ventos como é clara a(à) noite,
e por entre as curvas bem escritas eu passaria minha vista,
e não ousaria tocar em nada que não fosse longe,
e só faria questão de escutar os sussuros da noite mais de perto,
e não negaria a água do mar aos teus pés ou a areia sob teu manto,
eu entoaria cantos e cânticos,
e tocaria o céu com as pontas do dedos,
e capturaria as estrelas com a palma da minha mão,
e acenaria para cada estrela cadente, passante,
e olharia pra lua e gritaria à vida e à beleza do escuro,
mas dai todos me chamariam de louco então nem dá certo.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Processo Poético (ou de onde saem os poemas)
os poemas são feitos de:
pensamentos, idéias, planos, emoções.
eu como pensamentos pela manhã,
cozinho idéias no almoço,
digiro os planos durante a tarde,
preparo as emoções pro jantar,
e no fim do dia, antes de dormir,
paro, respiro, me concentro,
baixo as calças e sento.
afinal, por onde você achava que sairiam os poemas?
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Poesias de 5 Palavras II (ou não crie expectativa)
não crie expectativa
Eu avisei.
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Onde fica: poesia.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Poesias de 5 Palavras I (ou não espere, estou tentando lhe enganar)
espere por apenas um segundo,
espere o fim do dia,
espere a gota de orvalho,
espere só mais um pouco,
espere que haja bastante luz,
espere que ela lhe olhe,
espere pelos seus pais, irmãos,
espere só mais um instante,
espere para ver a vida,
espere que está ficando perto,
agora já era, esperou demais.
Postado por marcelo às 21:37 4 comentários
Onde fica: poesia.
caoticaesperapelonada (ou Tente Não Ler O Título)
tente não ouvir o barulho dos carros,
tente não sentir dor,
tente não ser você,
tente fugir daqui,
tente amar menos,
corra, mar, beija-flor,
não caia na tentação, eu sou mal,
tente não se preocupar,
tente ser mais rápido,
tente criar coragem,
tente enxergar nos olhos dela,
brisa, corra, beija-flor,
foge de mim, não sou bom,
tente não ler o título, apenas siga,
tente conhecê-la, tente conhecê-lo,
em último caso, tente fingir de morto.
Postado por marcelo às 21:27 0 comentários
Onde fica: poesia.
domingo, 9 de setembro de 2007
olhos.
Se eu tivesse uma máquina fotográfica eu fotografaria todos os seus olhos para que um dia eu pudesse ver ao mesmo tempo todas as suas caras e todas as suas faces só através dos teus olhos.
Se eu tivesse uma máquina fotográfica eu fotografaria todos os instantes da vida e dela tiraria pedaços de vida e viveria cada instante comparando esses pedaços aos teus olhos.
Se eu tivesse uma máquina fotográfica eu fotografaria teus pedaços e colaria neles olhos e seriam meus olhos nos teus olhos para ver neles todos os pedaços da vida.
Onde eu tava mesmo?
Postado por marcelo às 12:19 6 comentários
Onde fica: poesia.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
poemas.
Escreva um poema,
Sacuda-o,
Limpe-o,
Lave-o,
Seque-o,
Amasse-o
E jogue fora.
Postado por marcelo às 00:33 7 comentários
Onde fica: poesia.